Filho Amado comenta sobre o filme A Outra História Americana 1998
- Título Original: American History X
- Título no Brasil: A Outra História Americana
- País de Origem: Estados Unidos
- Ano de Lançamento: 1998
- Duração: 119 minutos (1 hora e 59 minutos)
- Idioma Original: Inglês
- Cor: Colorido com flashbacks em preto e branco
- Formato de Câmera: 35 mm (Panavision)
- Distribuição: New Line Cinema / Warner Bros.
- Streaming: HBO
- Direção: Tony Kaye
- Roteiro: David McKenna
- Produção: John Morrissey
- Produção Executiva: Steve Tisch, Lawrence Turman, Kearie Peak, Bill Carraro
- Trilha Sonora: Anne Dudley
- Direção de Fotografia: Tony Kaye
- Edição (Montagem): Alan Heim e Gerald B. Greenberg
- Direção de Elenco: Valerie McCaffrey
- Edward Norton como Derek Vinyard
- Edward Furlong como Danny Vinyard
- Beverly D'Angelo como Doris Vinyard
- Avery Brooks como Dr. Bob Sweeney
- Jennifer Lien como Davina Vinyard
- Fairuza Balk como Stacey
- Stacy Keach como Cameron Alexander
- Elliott Gould como Murray
- Ethan Suplee como Seth Ryan
Sinopse
Derek é um jovem que, após perder o pai baleado, se revolta contra todas as pessoas que não são americanas. Influenciado pelos ensinamentos de Cameron Alexander, um extremista mais velho, Derek cria uma gangue com um visual marcante: cabeça raspada e tatuagens nazistas. O grupo se reúne para amedrontar os moradores estrangeiros do bairro.
Danny, irmão de Derek, o idolatra e tenta imitar tudo o que ele faz. No entanto, o destino muda quando jovens negros tentam roubar o carro de Derek, e ele os mata brutalmente.
Preso, Derek cumpre três anos de detenção. Ao ser solto, reaparece transformado: deixa o cabelo crescer e muda completamente seus ideais. Na mesma época, Danny recebe de um professor a tarefa de escrever um trabalho sobre o irmão, com o título "A Outra História Americana". A partir daí, Danny relata toda a trajetória de Derek, incluindo os horrores pelos quais ele passou na prisão.
Comentários
Este era um filme que há muito tempo eu me preparava para ver, pois sabia do peso cultural e emocional que carregava. Mesmo assim, percebi que não estava totalmente pronto: o filme me impactou de forma tremenda e possui cenas extremamente fortes.
Edward Norton entregou uma atuação impecável em um papel complexo e cheio de camadas, interpretando alguém que passou por traumas assustadores. Edward Furlong também impressiona ao viver um jovem em plena fase de formação de caráter, permitindo que a gente acompanhe a história através dos olhos e da mente dele.
O momento mais tenso é quando Derek expõe suas opiniões sobre o extremismo americano contra os imigrantes — principalmente negros —, acusando-os de roubar os empregos dos americanos. Revoltado com a morte do pai, ele buscava a todo custo culpados para a sua dor.
Nos Estados Unidos, há uma divisão racial historicamente muito marcante. Mas será que a nossa realidade no Brasil é tão diferente assim? Vejo essa divisão de forma muito clara quando trabalho como garçom em festas da elite goiana: na prática, são negros servindo brancos. Isso evidencia a urgência da reparação histórica e a necessidade das cotas raciais em escolas, faculdades e concursos. Muitos defendem uma meritocracia pura, em que apenas a maior nota deveria importar. Mas até quando vamos perpetuar esse ciclo de injustiça racial? Quando vamos estourar essa bolha?
A história americana foi construída por todas as raças — algo que o próprio protagonista, Derek, acabou compreendendo. Sua redenção foi bonita, embora ele tenha tido que passar por traumas terríveis para enxergar a verdade. Espero que não seja preciso que outros passem pelo mesmo para entender que o mundo não se divide entre negros e brancos, mas sim entre pessoas que têm consciência e pessoas que não têm.
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