Filho Amado comenta sobre o filme O Agente Secreto (2025)
Ficha Técnica: O Agente Secreto (2025)
- Título Original: O Agente Secreto
- Título Internacional: The Secret Agent
- Gênero: Drama, Thriller Político, Suspense
- Ano de Lançamento: 2025
- Duração: 161 minutos (2h 41min)
- Países de Origem: Brasil, França, Países Baixos, Alemanha
- Idioma: Português (com diálogos em Alemão e Inglês)
- Streaming: Netflix
Equipe Criativa e Técnica
- Direção: Kleber Mendonça Filho
- Roteiro: Kleber Mendonça Filho
- Produção: Emilie Lesclaux
- Coprodução: Brent Travers, Nathanaël Karmitz, Elisha Karmitz
- Direção de Fotografia: Evgenia Alexandrova
- Direção de Arte / Designer de Produção: Thales Junqueira
- Figurino: Rita Azevedo
- Montagem / Edição: Eduardo Serrano e Matheus Farias
- Trilha Sonora Original: Mateus Alves e Tomaz Alves Souza
- Som Direto: Moabe Filho e Pedrinho Moreira
- Edição e Desenho Sonoro: Tjin Hazen
- Mixagem: Cyril Holtz
Elenco Principal
- Wagner Moura como Marcelo Alves / Armando Solimões
- Maria Fernanda Cândido como Elza / Sara Gerber
- Alice Carvalho como Fátima
- Gabriel Leone como Bobbi
- Tânia Maria como Dona Sebastiana
- Udo Kier como Hans
- Carlos Francisco como Seu Alexandre
- Thomás Aquino como Arlindo
- Hermila Guedes como Claudia
- Robério Diógenes como Delegado Euclides
- Luciano Chirolli como Henrique Guirotti
- Roney Villela como Augusto
Empresas e Distribuição
- Produtoras: CinemaScópio Produções, MK2 Films, Lemming Film, One Two Films, Arte France Cinéma
- Distribuição no Brasil: Vitrine Filmes
- Distribuição Internacional: Neon (América do Norte), MUBI (Reino Unido, América Latina exceto Brasil), MK2 (Vendas Internacionais)
Sinopse
O filme se passa em 1977, em meio ao regime militar, época em que o general Ernesto Geisel era o presidente da República. Naquele período, havia uma grande perseguição política contra todas as pessoas que se opunham ao governo, incluindo universitários e professores.
O protagonista, Armando, e sua esposa, Fátima, eram professores universitários e pesquisadores. Eles expuseram um grande esquema de corrupção política envolvendo um empresário poderoso chamado Henrique Castro Ghirotti, que tinha ligações com o governo. Henrique orquestrou uma forte perseguição contra os dois, que culminou no assassinato de Fátima. Para salvar o filho e fugir da repressão, Armando o envia para a casa dos avós, no Recife.
Usando o nome falso de Marcelo, Armando vai para o Recife após conseguir passaportes falsos para que ambos possam fugir do país. No entanto, o empresário Henrique não facilitará as coisas para eles.
Comentários
É um filme muito complexo. Tive que fazer várias pesquisas durante a exibição para compreender o enredo, o que dificultou um pouco a apreciação no início. Porém, depois que entendi todo o contexto político da época, fiquei muito mais fascinado pela história.
Primeiramente, tenho que elogiar a direção do filme. Cada detalhe dos anos 70 é fascinante, e o diretor nos submerge naquela época de uma forma impressionante. As músicas, o figurino, o ritmo de filmagem que nos faz apreciar cada momento e as locações escolhidas são detalhes pequenos que, quando percebemos, mostram todo o cuidado da direção.
Wagner Moura, como sempre, faz um excelente trabalho. Sua atuação é fenomenal, tanto interpretando Armando quanto seu filho na fase adulta, e seu carisma foi essencial para o papel. Também preciso citar Alice Carvalho, intérprete de Fátima, a esposa do protagonista: no pouco tempo de tela que teve, roubou a cena completamente.
Sobre a grande questão do filme, a perseguição política, é algo horroroso. Falei muito sobre isso na minha resenha do filme Ainda Estou Aqui, mas é algo que nos deixa indignados: como uma população tão grande quanto a nossa permite ser governada por um poder tão corrupto? Somos um país populoso, rico e forte; é um absurdo não nos levantarmos contra a roubalheira e a opressão.
O poder exercido pelos nossos políticos é concedido pelo povo; nós entregamos o poder a eles. Se não estamos satisfeitos, podemos tirá-los, mas o povo se esquece disso ou é manipulado a esquecer. Hoje, o povo brasileiro está dividido entre dois polos — direita e esquerda — e se esquece completamente do que é certo e do que é errado.
Se o governo que eu apoio faz algo errado, não posso continuar apoiando-o. Independentemente de ser de direita ou de esquerda, se não estamos gostando do governo atual, não vou apoiá-lo só por medo de entrar outro pior. Não podemos aturar um governo que oprime, mente e rouba.
Não podemos aceitar quando alguém se levanta e diz "não, sempre foi assim e sempre vai ser". O povo tem o poder de dizer sim ou não. Pudemos ver isso décadas atrás, na campanha das Diretas Já, e também em diversas revoluções.
Para que isso aconteça, precisamos primeiro acabar com essa guerra entre direita e esquerda e começar a guerra do que é certo contra o que é errado. Não podemos aceitar ser manipulados; devemos nos levantar e agir como um só, a favor do povo e do futuro dos nossos filhos. A ditadura militar, que se dizia de direita, já passou, e eu não posso aceitar o que fizeram justificando que minha ideologia é oposta à esquerda. Da mesma forma, alguém que apoia o governo atual não pode negar que coisas ilegais acontecem só porque não apoia a direita.
Vamos analisar e ver o que é certo e o que é errado, em vez de focar no que é de direita ou de esquerda.
Algo que notei bastante no filme foi a preocupação das pessoas com o futuro ao olharem para as crianças. Olhando para elas hoje, fica a reflexão: será que estamos entregando um país melhor para os nossos filhos?
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