Invasão - Um conto de Leandro Mendes

Ela entra na fila do caixa, sorri enquanto o cabelo se desprende da sua orelha e cai na frente dos olhos, ela põe de volta no lugar, está ruborizada de vergonha.

Ela puxa o cartão da sua calça jeans apertada enquanto eu termino de passar o último produto, um sabão em pó, e um detergente.

Ela faz menção de pegar as compras.

-Não precisa se preocupar com as compras Rita, o Douglas tá ele entrega as compras para você.

Era o dono do mercado, ele estava verificando se estava embalando tudo certo, ou estava só fazendo charme para a Dona Rita, eu consegui esse emprego há apenas duas semanas, era um dos poucos na minha cidade não podia perde-lo, não era difícil, tinha que embalar todas as compras dos clientes o mais rápido possível, as vezes levava para eles.

Difícil era só tirar os olhos da dona Rita que mulher linda.
Além do Jeans apertado usava uma regata verde, e um tênis de trilha, mas oque a deixava mais sensual era o sorriso.

-Não precisa Sr. Manuel.

Ela olhou para mim, pensei em falar um milhão de coisas mas não consegui falar nada.

Só abri a boca sem conseguir formar uma palavra, oque a fez dar um sorriso mais lindo ainda e mais uma vez colocar a mecha do cabelo atrás da orelha.

-Acompanha a dona Rita Douglas.

Peguei as sacolas oque não eram muito e a fui atrás dela.
Não pude deixar de observar ela, como andava graciosa, ela virou para mim, será que me viu a olhando?

- E logo ali na esquina. Ela falou.

O vento fez o perfume dela vir até mim.

Estava fascinado por ela.

A sacolas estavam começando a pesar.

Como seria estar com essa mulher, meus olhos grudaram em sua cintura em suas mãos enquanto procurava a chave.

-Pode levar lá em cima, está muito pesada.

-Cla..cla.. claro.

Era muito nervoso, apesar da minha idade, não tinha muita experiência com mulheres.

Pude ver que a casa era enorme e avia uma escada que levava até a porta da frente, com certeza dona Rita era casada para ter um palácio daquele.

Ela subiu a abriu o portão e me esperou entrar.

-Pode colocar na mesa da área.

Coloquei as sacolas na mesa.

-Espere um pouco vou te trazer uma gorjeta.

Um dinheirinho a mais seria bom, poderia comprar um lanche top.

- Na... Na...na... não Precisa Dona Rita.

Minha gagueira acabava comigo.

Mesmo assim ela pegou nota de 20rs e me entregou.

-Mamãe, mamãe, mamãe.

Uma garotinha veio correndo e pulou no colo da Dona Rita, parecia uma miniatura dela.
Ela é mãe, então ela era mais velha do que pensei, pode ser que seja da minha idade ou até mais velha, mas essa maturidade a deixou mais sedutora do que já era.

-Quando sair bate o portão para fechar.

Ela entrou para dentro da casa, eu andei até o portão e empurrei com força para ele bater e poder trancar, olhei de volta para área, ainda estava no lado de dentro, mas oque eu tinha feito? Oque estava pensando em fazer?
Eu ainda não tinha feito nada, poderia voltar a traz, poderia dizer que o portão bateu sozinho e me tranquei do lado de dentro.

Comecei a entrar na área, passei pelas compras e entrei na cozinha, tudo brilhava lá, era lindo, a menina estava na sala, assistindo televisão e não me viu passar.

No corredor havia um parede com várias fotos de uma Dona Rita mais jovem e a medida que ia passando pelo corredor via Rita com 5, 10, 15 até seus 18 anos, mas o corredor de fotos continuava ela envelhecia cada vez mais nos porta retratos até um ponto onde ela ia além do que lembrava, pois nas fotos ela estava com 30, 35, 40 e até talvez 50 anos quando a porta do quarto se abriu.

E uma Dona Rita com a aparência de 50 anos me olhava, não assustada, mas com um sorriso, ela usava um óculos de grau e via seus cabelos começando a embranquecer na raiz, seu corpo não era mais como antes, mas ainda era atraído por ela.

Ela sorriu e mais uma vez pois a mecha de cabelo para atrás da orelha.

- Hoje você está mais lúcido meu amor.

Eu voltei olhar para os retratos e sempre tinha alguém com ela, um senhor que a medida que via os retratos atraz ele rejuvenescia, nas festas d aniversário, nos almoços com os filhos, esse senhor era eu.

Ela estendeu a mão onde pude ver uma aliança em sua mão esquerda, toquei em meu anelar e senti a mesma aliança entreguei a minha mãos para ela, me assustou um pouco quando vi que minhas mãos estavam cheias de manchas da idade, mas quando senti ela segurando a minha mãos firmes vi que valeu a pena toda a minha vida.

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