Filho Amado comenta sobre a minissérie Emergência Radioativa

Minissérie Emergência Radioativa

Equipe Técnica e Elenco

  • Direção e Produção: Rebecca Cammisa
  • Produção Executiva: Sheila Nevins, James B. Freydberg e Jill Mazursky
  • Elenco Principal: Johnny Massaro (Márcio), Paulo Gorgulho (Dr. Orenstein), Leandra Leal (Esther), Caco Ciocler (Governador Henrique), Antonio Saboia e Luiz Bertazzo.
  • Núcleo das Vítimas: Tuca Andrada (Roberto), Bukassa Kabengele (Evanildo), Clarissa Kiste (Maria), Marina Merlino e Alice Camargo Seleste.

Sinopse

​Em 1987, dois catadores de recicláveis encontram um objeto de chumbo em um hospital abandonado e o levam para Roberto, dono de um ferro-velho. Ao abrir o dispositivo, Roberto descobre pedras que brilham no escuro e, fascinado, leva a novidade para casa para apresentar à família e aos amigos.


​No entanto, Maria, sua esposa, percebe que todos na casa começam a passar mal e decide levar o objeto até a Vigilância Sanitária. Paralelamente, Márcio, um jovem físico nuclear que está em Goiânia para o aniversário do pai, é chamado por um colega para avaliar pacientes com sintomas suspeitos. Ao chegar ao posto de saúde onde Maria buscava ajuda, seu aparelho detecta altos níveis de radioatividade. Diante da gravidade, Márcio aciona o Dr. Orenstein, físico experiente que assume a coordenação da resposta a essa terrível contaminação.

Comentários e Impressões Personais

​Esta é uma minissérie brasileira extremamente bem preparada; há muito tempo eu não via algo desse nível. Simplesmente não consegui sair da frente da televisão até terminar todos os episódios.


​Baseada em fatos reais, a obra me marcou profundamente por retratar eventos ocorridos na minha cidade, Goiânia. Embora eu não tenha vivido a época do acidente, cresci ouvindo sobre esse desastre e vejo suas marcas até hoje — inclusive, moro próximo a Abadia de Goiás, onde o rejeito radioativo foi depositado.


​A diretora Rebecca Cammisa nos transporta para a Goiânia de 1987 com um cuidado minucioso. Os detalhes da mobília, os figurinos e os carros antigos demonstram uma atenção técnica que não aceitou o "fazer de qualquer jeito". 



No elenco, as atuações de Johnny Massaro, Leandra Leal e Caco Ciocler são extraordinárias, mas o núcleo dos afetados pela radiação foi a grande surpresa. Alice Camargo, que interpreta a pequena Seleste, nos emociona do início ao fim; sua ingenuidade é de partir o coração. Destaco também Bukassa Kabengele, cuja interpretação de Evanildo — o rapaz que foge do hospital — é de arrepiar.


​Confesso que, inicialmente, fiquei receoso com a série. Temia que fosse apenas uma forma de o streaming lucrar sobre uma tragédia local, reforçando o estigma de uma "Goiânia contaminada" e prejudicando o turismo e a imagem da minha cidade. 


No entanto, o efeito foi o oposto. Em um cenário onde tantas produções exaltam bandidos e assassinos, Emergência Radioativa finalmente exalta nossos heróis da saúde e as pessoas que assumiram a responsabilidade de cuidar de cidadãos tão fragilizados.


​Essa dedicação me lembrou o que vivi recentemente com minha esposa, quando ela precisou de cuidados após uma cirurgia de retirada de útero e vimos o empenho dos profissionais da saúde. Na série, a cena deles furando a greve para ajudar os necessitados é belíssima. Isso, para mim, é o verdadeiro heroísmo.

Comentários