Filho Amado comenta sobre o livro Recursão Blake Crouch


Título: Recursão (Recursion)
Autor: Blake Crouch
Gênero: Ficção Científica / Thriller
Ano de publicação: 2019
Editora (Brasil): Intrínseca
Tradução: Jaime Biaggio
Protagonistas: Barry Sutton e Helena Smith
Temas: Memória, tempo e ética científica

Sinopse

​Helena Smith é uma cientista que acaba descobrindo, por acidente, uma maneira de voltar no tempo. Uma de suas "cobaias" é Barry Sutton, um policial que estava investigando a SMF Síndrome da memória falsa, essa investigação o levou a ser capturado por Marcos Slad que o obriga a relembrar uma das suas lembranças mais dolorosas que perdeu a filha em um atropelamento. Ao voltar no tempo, Barry percebe que pode salvar a menina, mas essa escolha traz consequências drásticas.


​Quando a linha temporal atinge a data original do acidente, sua filha e sua esposa recuperam as memórias do atropelamento (a Síndrome da Memória Falsa). O trauma de lembrar da própria morte deixa a garota paranoica, levando-a ao suicídio.


​Helena compreende a grandiosidade e o perigo de sua invenção. É quando Marcus Slade, o financiador do projeto, revela que na verdade era assistente dela e que já havia voltado no tempo inúmeras vezes, utilizando a máquina para se tornar um bilionário. Agora, Helena e Barry precisam se unir para impedir o vilão, explorando diversas realidades possíveis para tentar consertar o mundo.

​Comentários

​Blake Crouch é fascinante. Ele nos entrega uma história tão imersiva e empolgante que, mesmo após fechar o livro, continuamos imaginando as milhares de possibilidades de desenvolvimento dessa ideia. Quando achamos que não há mais nada para contar, o autor expande a trama a cada página.


​O momento em que Barry consegue recuperar sua família na segunda linha temporal é emocionante; nos faz valorizar cada instante que passamos com quem amamos. Já as descrições dos efeitos das bombas nucleares são de arrepiar — a sensação é de estar no meio do desespero e da balbúrdia. Crouch ressignificou a viagem no tempo com esta obra.


Fica a grande questão: se tivéssemos o poder de viajar ao passado, mudaríamos algo? Valeria a pena, mesmo sob o risco de perdermos o que temos hoje?

​O interessante é que vi uma reportagem, há pouco tempo, sobre cientistas que conseguiram fazer o upload da mente de um mosquito. Estão realizando estudos sobre o tema que a ficção já explorou. E quem nunca ouviu falar do Efeito Mandela? Aquele fenômeno em que um grande grupo de pessoas compartilha uma lembrança falsa coletiva sobre um evento ou detalhe.

​Milhares de pessoas acreditavam que Nelson Mandela havia morrido na prisão nos anos 80, quando, na verdade, ele foi solto e viveu até 2013. O mascote do Monopoly não usa monóculo; o Pikachu não tem a ponta da cauda preta... Será que isso não seria alguém no passado alterando a nossa realidade?

​E se conhecêssemos alguém que viajou no tempo e fosse nosso amigo, você daria ouvidos a ele? E se eu te falar que esse amigo existe? Ele está fora do tempo; não o vê de forma linear, mas sim como um todo. Ele já nos ensinou como agir e o que devemos fazer. Só precisamos ler.

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