Filho Amado comenta sobre o livro Nicolau e Alexandra - Robert K. Massie

Nicolau e Alexandra

  • Título Original: Nicholas and Alexandra

  • Autor: Robert K. Massie

  • Gênero: Biografia Histórica / Não Ficção

  • Primeira Publicação: 1967

  • Páginas (média): ~600 a 700 páginas (dependendo da edição)

  • Tradução no Brasil: Diversas editoras (muito comum em edições da Rocco ou BestBolso)



Sinopse 



Alexandre III era um homem fisicamente muito forte e robusto, mas morreu subitamente aos 49 anos de uma doença renal (nefrite). Como Nicolau era o filho primogênito, a sucessão foi automática, de acordo com as leis da dinastia Romanov.

Nicolau II não estava preparado para o trono. Seu pai, uma figura imponente e autocrática, via o filho como uma "criança eterna", não o considerando intelectualmente ou emocionalmente maduro para os assuntos de Estado. Alexandre III referia-se a ele como "o pequeno Nicolau" ou "Nikki", acreditando que ainda haveria muito tempo para o herdeiro aprender — o que, infelizmente, não foi possível.


Nicolau e Alexandra casaram-se apenas 25 dias após a morte de Alexandre III. O casamento foi apressado para que a Rússia tivesse logo uma Imperatriz e para que Nicolau recebesse o apoio emocional de Alexandra. Na época, o povo dizia que a nova soberana "chegou atrás de um caixão", o que foi considerado um mau presságio para o reinado.


Alexandra Feodorovna nasceu como Princesa Alix de Hesse e do Reno (um pequeno estado alemão). Neta favorita da Rainha Vitória do Reino Unido, ela passou muito tempo na corte inglesa após a morte prematura de sua mãe, o que a tornou culturalmente mais próxima da Inglaterra do que da Alemanha. Diferente da maioria dos casais reais, eles tiveram um casamento repleto de amor e formaram uma linda família, composta por quatro filhas e, finalmente, o herdeiro tão desejado.


Alexei Nikolaevich, o quinto filho e único rapaz, era o centro das atenções e preocupações. Como Czarevich, sua saúde era um segredo de Estado devido à hemofilia, uma doença terrível que causava hemorragias internas e dores excruciantes ao menor ferimento. Foi nesse cenário de desespero que Alexandra conheceu Grigori Rasputin, um camponês siberiano que se apresentava como um starets (homem santo). Embora não fosse um padre oficial, ganhou fama por sua suposta capacidade de curar e prever o futuro.

Sempre que Alexei tinha uma crise, os médicos nada podiam fazer. Rasputin era chamado e, muitas vezes por telefone ou ao lado da cama, utilizava uma enorme força magnética ou capacidade de hipnose que acalmava o sistema nervoso de Alexei. Ao tranquilizar o menino (e a desesperada Alexandra), a pressão arterial baixava, ajudando o sangue a estancar naturalmente. Contudo, a presença desse homem estranho acabou causando estragos terríveis, não só na família real, mas em todo o Império.


Comentário Pessoal

Conheci a história dos Romanov pela animação Anastasia de 1997. Fiquei curioso ao saber que era baseada em fatos reais e, embora soubesse do final trágico, não estava preparado para "viver" ao lado deles durante a leitura da obra de Robert K. Massie. É um livro complexo e extremamente detalhista. Massie nos transporta para os palácios e viagens da família, revelando as maravilhas de um reino encantado que, infelizmente, não era compartilhado por seu povo.




A doença de Alexei trouxe momentos de terror para esse sonho familiar e permitiu a aproximação de Rasputin. Ele é um personagem peculiar e excêntrico, mas, lendo o livro, não o vejo como o vilão caricato da animação; o grande vilão foi o ódio dos opositores, que selou a desastrosa conclusão da dinastia. Ainda assim, os relatos de seus poderes hipnóticos são de arrepiar, e seu assassinato parece algo inacreditável de ter acontecido realmente.

Acompanhar a queda da família após a renúncia de Nicolau é de cortar o coração. Os abusos e as humilhações sofridos nas mãos dos soldados do Governo Provisório provocam indignação. 

Eu juro que senti como se estivesse segurando o pequeno Alexei no colo ler a descrição do momento em que o exército chamou a família para se aprontar para a execução; foi terrível.

Tenho uma teoria na qual gosto de acreditar: a de que, na verdade, a família sobreviveu e que tudo não passou de um plano para que eles desaparecessem. Penso nisso porque, apesar de tantos pertences deixados para trás, os corpos encontrados eram irreconhecíveis. Diante de tantos planos elaborados para salvá-los, será que nenhum deu certo? Não seria muita coincidência que tudo tenha falhado? Gosto de pensar que esse desaparecimento foi conveniente para que eles pudessem, finalmente, viver em paz longe do trono.


Foi uma família que cometeu erros e falhas, mas nada justifica o ódio e a violência que sofreram. Infelizmente, vemos isso se repetir hoje nos conflitos entre ideologias diferentes. Quero pesquisar mais sobre a Rússia para entender o "outro lado", mas não creio que haja justificativa para tamanha crueldade. Como diz o mandamento:

"Eu lhes dou este novo mandamento: amem uns aos outros. Assim como eu os amei, amem também uns aos outros." — João 13:34 (NTLH)



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